O TEAT(r)O OFICINA Ouro da Cultura Brasyleira Faz 55 Hoje!

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O TEAT(r)O OFICINA OURO DA CULTURA BRASYLEIRA FAZ 55 HOJE.

Quando nasci, em 1966, e dei o meu primeiro berro o Teatro Oficina, já existia, foi inaugurado no dia 16 de Agosto de 1961, eu bebê recém nascido jamais poderia imaginar que um dia eu iria me encontrar com ele e que esse encontro seria devastador e que subverteria aquela imagem que eu tinha e que até hoje mutos tem da arte teatral,  pra mim esse impacto aconteceu quando vi as energias liberadas em quase 5 horas de duração de Ham-let, primeiro contato com o Oficina.  Até mais ou menos meus 17 anos não sabia o que era teatRo e muito menos teAto. Descobri o teatrRo que é muito mais praticado primeiro e me apaixonei, e o segundo, o teAto, veio muitos anos depois e daí tudo mudou, foi uma descoberta,  uma revelação, e de imediato me identifiquei  com uma arte potente que impulsionava as rupturas necessárias e adiadas.

O Teat(r)o Oficina já é há muito tempo um dos Patrimônios da Humanidade, e isso não é babaquice, deverá permanecer depois que nós partimos, para as futuras gerações, que assim como eu e muitos outros  que passaram por lá, poderão também encontrar nele, como podemos encontrar nos grandes textos antigos e nos não tao antigos assim, a potência da arte que não podem ser apagadas por decretos, governos passageiros, obras que contêm o vaivém dos encontros e desencontros da vida orgiástica em fricção contra as correntes dos pensamentos, prisões, mordaças, algumas delas foram encenadas no Oficina e apontaram novas saídas para os impasses da vida e seus aprisionamento, obras contestações/celebrações libertárias que devolveram a vida de volta a vida, a sua própria pulsação cheia de contrações e contradições.

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Zé Celso assim como Shakeapeare na minha juventude eram apenas nomes, o primeiro era citado constantemente por Pascoal da Conceição,com quem atuei por mais de 5 anos, e o segundo só descobri realmente  através de Zé Celso na magnifica montagem de Ham-let que reinaugurou o Oficina-Lina Bo Bardi/Edson Elito em que ele era o próprio Fantasma, esses dois artistas me jogou dentro de totalidades captadas. E depois vieram muitas outras.

Já tinha intenção de escrever sobre o teat(r)o e a sua arquitetura depois que vi o vídeo bem editado por Igor da apresentação de FIM DO JUÍZO DE DEUS na Virada de BH, e de como a Cia ocupou o palco italiano e a plateia, não escrevi, mas hoje no dia do seu aniversário ofereço esse texto como oferenda para este espaço único que já foi Elsinor, Grécia, Zona Norte Rio, Sertão, Bossa Nova-Zen-Japão, Terreiro de e da Macumba Antropofágica de OswalddeAndrade, TBCdeCacilda (s), Pistão para Genet e agora Piva, palcos de shows, onde muitas histórias se entrelaçaram antes dele ser coroado pelo The Guardian como o mais belo teatro do mundo.

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Mas ali em BH aconteceu uma comunhão, que vi através do vídeo, entre o palco italiano com a linguagem do Uzona Uzyna, o limite do palco italiano não foi um empecilho para que a  linguagem dionisíaca fosse manifestada como foi,  aquelas fronteiras dos nãos que poderiam impedir, do não dá, não é possível, foram deixadas de lado e os atores ocuparam o espaço muito bem para o gozo deles e do público.

No palco italiano o público pode se sentir seguro no escuro  para ver sem ser visto, esse formato, o mais construído mundialmente, esta mais próximo da sociedade ordeira e controlada. Dentro da caixa preta é permitido ver coletivamente, sem se expor, encenações em que a ordem psíquica/física/social desintegram. Mas quando entramos na arquitetura do Oficina  caímos no caldo dos caos, como é na vida, ali o caos será ordenado como rito que vai ressignificar a vida no contato direto com as todas as presenças vistas e não ignoradas, pois os presentes ali, tanto os atuadores como o público, terão as suas percepções ativadas.

As montagens do teAtoficina ultrapassam a representação e quer ser a própria vida e são, querem ser no ser daquele instante fugidio mas que fica na memória e inspiram muitos, pois a cultura ali é fecundação e celebração, ali surgem novas ideias geradoras e novas iluminações, ali as mortes podem encontrar os seus renascimentos, ali como centro irradiador de energias locais planetária e cósmicas que é podemos nos achar em cada perda, como podemos nos perder.

E hoje é dia de celebração e de perder o Juizo! 55 anos não são 50 dias. Hoje tem ‘Pra Dar Um Fim no Juízo de Deus’ de Artaud com os seus ArtuAtores!

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Para encerrar além de  EvoÉros para o Oficina, mando daqui um trecho de Carlos Drummond de Andrade:

‘Comeríamos a mesa se-no-lo ordenassem as Escrituras.Tudo se come, tudo se comunica, tudo, no coração, é ceia.”

Vagner Luís Alberto

Hoje 16 de Agosto de 2016 – 55ANOSDEVIDAATIVA

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